O novo FAST fashion

Uma das mais importantes marcas de luxo Made In Italy, a Salvatore Ferragamo vem mostrando como aliar sua tradição fiorentina à inovação que o mercado atual de moda pede e ao gosto dos consumidores que buscam vitrines globalizadas e recheadas com as mais novas peças desejo de cada coleção

Por Mariana Campos

Produzir a moda de maneira cada vez mais consciente e transparente, não apenas com o viés da sustentabilidade, mas com responsabilidade social e diversidade, é um dos desafios que a Riachuelo vem tirando de letra.

Seja com campanhas de TV que atingem o grande público ou desfiles badalados que causam burburinho entre fashionistas de plantão, as ações desenvolvidas por Marcella Kanner, gerente de marketing da rede, vem ganhando consumidores ávidos por se vestir bem, pagando pouco e sem ter que trocar o guarda-roupa a cada estação.

“A moda é uma forma de expressão e inclusão (tanto para quem compra, como para quem produz) e, porisso, deve ser democratizada. Torná-la acessível nos permite tocar a vida de milhões, estabelecendo uma cadeia de valor responsável e promissora no varejo. Tenho um grande exemplo: o ProSertão, no Sertão Nordestino, programa do qual fazemos parte. É uma região de extrema seca, onde a costura é uma atividade perfeita, pois não exige água e pode ser completamente descentralizada. São mais de 5 mil empregos diretos, que beneficiam indiretamente 50 mil pessoas. A maioria delas teve carteira assinada pela primeira vez. Isso para mim é a verdadeira
inclusão”, conta.

A inauguração de uma loja na Rua Oscar Freire, na capital paulista, em 2013, foi o start para o novo posicionamento da marca.

No ano seguinte, Marcella surpreendeu novamente, quando promoveu o “see now, buy now” em um desfile que parou o SPFW, com a grife italiana Versace assinando uma coleção com peças que podiam ser arrematas logo após a apresentação, por preços que não passavam de R$400. “Não fazia sentido para nós desfilar uma coleção e não dar acesso a ela imediatamente depois. Fizemos isso e, por coincidência, na semana de moda seguinte, em Londres, a Burberry fez algo parecido e o conceito explodiu”, relembra.

Em 2016, a top Isabeli Fontana estrelou um comercial anunciando a parceria da rede com o estilista da Chanel, Karl Lagerfeld. No desfile, as araras entravam na passarela junto com as modelos! No mesmo ano, foi a vez de uma label do high-fashion brasileiro lotar as lojas.

O lançamento da Isolda + Riachuelo foi marcado por uma viagem em avião fretado e customizado com as estampas da marca, que levou influencers convidados de São Paulo para o Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, onde foi realizada a apresentação do musical “Garota de Ipanema – O Amor é Bossa”, com atores usando as peças da parceria como figurino.

“Para tudo isso acontecer, são necessários meses de trabalho. No caso da Versace, foram quase três anos! Eu e minha equipe de colaboradores somos apaixonados pelo que fazemos. Quando acaba, sempre vamos dormir tensos, pensando no que inventar de diferente para o próximo”, conta.

GIRL POWER

Neta do fundador da rede, Nevaldo Rocha, Marcella Kanner herdou a veia empresarial e a visão certeira do avô.

Entrou na empresa aos 17 anos, ganhou três prêmios como trainee e viu sua carreira deslanchar por méritos próprios e muito trabalho – hoje é uma das mulheres mais admiradas do fashion business nacional. “Sempre foi bem natural para mim ver mulheres e homens em papéis de liderança. Acredito que pelo fato de 68% da liderança da Riachuelo ser feminina e 90% dos ingressos no programa de trainee serem mulheres, tenho esse sentimento. Assim como o exemplo da minha mãe, que sempre trabalhou, se impõe como ninguém e nunca precisou perder sua feminilidade ou sequer levantar a voz para isso. Meu pai também nos criou para o mundo e sempre foi muito exigente quanto aos estudos e o trabalho de todos os filhos – somos em três meninas e um menino”, relata.

Casada e mãe de três filhos, ela conta que hoje consegue equilibrar bem o profissional e o pessoal. “Entendi que tem momento certo para priorizar cada um deles. Então, tenho fases de trabalho intenso e horários ‘malucos’, e outras em que consigo estar bem mais disponível para minha família. Meu marido é muito parceiro, realmente divide a criação dos nossos filhos e me ajuda muito, ainda mais quando estou sobrecarregada. Meus filhos também entendem bem essa dinâmica, conhecem meu trabalho e sabem que eles estão acima de tudo – sempre! −, mas que meu trabalho me faz bem e muito feliz”, finaliza.

FOTO RAFAEL CAUTELLA

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