O futuro dos investimentos

Palestrante do Z360°, Ricardo Amorim desvenda o mistério dos investimentos

Ele está entre os melhores palestrantes do mundo e já foi nomeado como o economista mais influente do Brasil. Também leva em seu currículo outros títulos e prêmios, como o Top Voices do LinkedIn, conquistado há dois anos. Esse é Ricardo Amorim, que, com seu grande conhecimento na área de investimentos, tornou-se um dos mais consultados quando o assunto é o futuro das economias nacional e internacional. Conseguindo explicar esse universo que pode parecer complexo para milhares de pessoas, Amorim revelou alguns caminhos simples − com um pezinho na contramão do que muitos achavam ser o correto − para quem deseja entrar nesse mercado ou até mesmo para aqueles que estão procurando novas estratégias.

ZUMM SELECT: UMA DE SUAS FILOSOFIAS PARA QUE OS INVESTIDORES TENHAM MELHORES CHANCES DE LUCRO É “NÃO SEGUIR A MANADA”. COMO EXPLICAR ISSO SEM QUE AS PESSOAS SE ASSUSTEM OU SE SINTAM NO ESCURO?

Ricardo Amorim: A maioria deseja fazer o que todo mundo faz e ter resultados diferentes e melhores. Isso simplesmente não é possível. Aliás, o resultado de todo mundo, no sentido de investimentos, normalmente é péssimo. Pesquisas nos Estados Unidos mostram que, na média, o investidor norte-americano tem um retorno ruim porque está quase sempre aplicando no investimento errado na hora errada. Isso acontece pois ele investe depois que começam a surgir histórias de que o tio, o amigo, o médico e o advogado investiram e aquilo subiu de preço. Assim, ele se sente seguro, mas essa segurança só aparece depois de muitos anos que o investimento está tendo bom rendimento, o que faz com que ele entre nos investimentos perto dos picos de alta e não venda a tempo de colher os bons rendimentos – todos os títulos têm movimentos cíclicos e o que acaba acontecendo é, quase sempre, as pessoas investirem no final da festa.

Z.S.: ENTÃO, O QUE FAZER?

R.A.: Quando quase todo mundo está indo naquela direção, isso já não é mais uma oportunidade e sim uma arapuca! A solução para isso, uma regra simples, mas que funciona, é conversar com amigos e colegas e se eles acharem que é um bom investimento, ele não será, já terá passado da hora. Os bons investimentos são aqueles que as pessoas não acham ser bons naquele momento. Elas esperam o preço subir para querer comprar depois. E é exatamente quando essas pessoas entrarem comprando que o preço do investimento subirá e quem investiu primeiro naquilo acaba ganhando dinheiro.

Z.S.: INVESTIMENTOS E SEGURANÇA: UMA UNIÃO POSSÍVEL?

R.A.: Definitivamente é possível ter bons retornos e mais segurança. O que as pessoas precisam entender é que uma coisa é a segurança real e outra, a percepção de segurança, sendo a última muito relacionada ao desempenho passado. É por isso que os investimentos que sobem muito de preço criam uma falsa percepção de que são investimentos seguros no futuro, quando, na realidade, são investimentos que se tornaram caros e, exatamente por isso, muito arriscados. Nenhum investimento é sempre seguro ou arriscado, o que torna o investimento mais seguro ou mais arriscado é o preço correto, ou seja, se você investir em uma coisa a um preço muito baixo, isso o torna seguro, e a um preço muito alto, arriscado.

“O que o brasileiro precisa entender é que a taxa Selic é a mais baixa da história e é provável, caso o próximo governo faça as reformas que são necessárias e coloque as contas fiscais em ordem, que a taxa de juros brasileira média, no futuro, seja bastante menor que no passado, o que deve levar a outras opções de investimentos com risco ou oscilações do valor, mas também que podem ter potencial de retorno muito maior”.

Z.S.: EMOÇÃO FAZ PARTE DO MERCADO DE INVESTIMENTOS? ATÉ QUE PONTO TEMOS QUE SER DESAPEGADOS?

R.A.: Sim. O emocional é um ótimo termómetro, porém deve ser utilizado de forma contrária. Quero dizer, então, que você deve ir contra as suas emoções! Conforme citei, a sensação de segurança grande, geralmente, vem com investimentos mais arriscados, porque quando eles já subiram muito de preço criam uma falsa sensação de segurança, afinal, é quando as pessoas investiram naquilo e ganharam dinheiro. Mas elas ganharam quando ninguém queria, quando o preço estava baixo. Então, investimentos que o fazem sentir muito seguro são mais arriscados do que parecem.

Z.S.: COMO DESENVOLVER UMA VISÃO FINANCEIRA PARA O FUTURO SENDO QUE O PRESENTE E O PASSADO BRASILEIRO NÃO ANIMAM?

R.A.: Uma das questões que atrapalha muito os brasileiros em relação aos investimentos é a frequência e a intensidade dos altos e baixos da economia no país e, por consequência, o desempenho dos investimentos. Essa frequência é muito maior que nos países mais desenvolvidos e estáveis, e tem algumas implicações importantes. A primeira delas é que a taxa de juros no Brasil sempre foi muito alta, levando as pessoas a terem uma opção de investimento com risco relativamente baixo e com uma oscilação muito pequena, que são investimentos em títulos indexados à própria taxa de juros, como CDI e taxa Selic, com retornos muito maiores que em qualquer outro lugar. A segunda é que o brasileiro, até por esses títulos serem indexados à taxa de juros diária, passaram a ter horizontes de investimentos muito curtos, quando, na realidade, as maiores oportunidades de investimentos acontecem quando se tem uma visão de médio e longo prazo.

Z.S.: O QUE ESTAMOS DEIXANDO PASSAR?

R.A.: O que o brasileiro precisa entender é que a taxa Selic é a mais baixa da história e é provável, caso o próximo governo faça as reformas que são necessárias e coloque as contas fiscais em ordem, que a taxa de juros brasileira média, no futuro, seja bastante menor que no passado, o que deve levar a outras opções de investimentos com risco ou oscilações do valor, mas também que podem ter potencial de retorno muito maior − até porque quando a taxa de juros cai, a gente tende a ter mais expansão de crédito, mais crescimento econômico e os investimentos como ações, imóveis e fundos imobiliários tendem a ter bom desempenho.

Z.S.: BITCOIN HOJE: COMO ESTÁ ESSE CENÁRIO? E QUAIS OS NOVOS TIPOS DE INVESTIMENTO QUE PODEMOS ESPERAR SEREM EXITOSOS NOS PRÓXIMOS ANOS?

R.A.: O Bitcoin e as criptomoedas são um bom exemplo de como a mentalidade “manada”, sobre a qual falamos, leva as pessoas a perderem dinheiro. O Bitcoin foi lançado, há tempos, no valor de um centavo de dólar. Nessa época, a maioria das pessoas nunca tinha ouvido falar da moeda e o preço foi aumentando. Quando ela estava valendo dezenas de dólares, as pessoas achavam muito arriscado. Alguns anos depois, quando chegou a US$1 mil, na grande mídia, ninguém falava disso e quem conhecia não investia. No final do ano passado, a Bitcoin valia US$20 mil e eu não conseguia andar na rua sem alguém me parar e perguntar se era uma boa investir na moeda. E a minha pergunta era sempre a mesma: “você investiu quando a moeda valia centavos ou dezenas e centenas de dólares?”. E as respostas eram sempre as mesmas: “Não! Naquela época era muito arriscado”. Então, as pessoas achavam, quando o preço era baixo no início, arriscado, e depois, quando estava com preço alto, um bom investimento.

Z.S.: MAS AINDA SERIA RENTÁVEL INVESTIR EM BITCOINS?

R.A.: Hoje, ela vale US$6 mil. Quer dizer: tivemos uma queda de 70% do preço! Ninguém sabe em qual valor ela estará daqui a um tempo, mas não tenho dúvida que a tecnologia das criptomoedas veio para ficar. A melhor forma de investir, nesse caso, é deixar cair tudo que tem para cair, depois, ter uma alta de 30, 40, ou 50%, e só aí entrar. Ela não terá outro processo de valorização equivalente à anterior, mas chegará a um ponto que esse investimento fará sentido. Porém, eu não faria isso agora!

“Eventos como o Z360° têm algumas vantagens importantes. No caso das palestras, há uma organização de todo um pensamento, já que muitas das coisas que são encontradas na internet são fragmentos de ideias, informações e análises. Além disso, esses eventos permitem trocas de informações, experiências e conhecimentos, não só por parte dos palestrantes, mas entre os participantes, o que torna isso mais forte”.

Z.S.: ONDE PESQUISAR SOBRE O MERCADO FINANCEIRO? COMO SABER DIFERENCIAR O CERTO DO ERRADO?

R.A.: A internet tornou a informação acessível a todos e democratizou o acesso e a geração de informação. Mas o lado negativo disso é que a quantidade de informações de má qualidade e de mentiras é gigantesca. Então, o importante é a credibilidade da fonte dessas informações. Aquelas que não vierem de fontes que você confia precisam ser checadas e isso vale para tudo, não apenas no segmento de investimentos.

Z.S.: MESMO COM O ALTO FLUXO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NA INTERNET, TEM CRESCIDO A PROCURA NA PARTICIPAÇÃO DE PALESTRAS E EVENTOS QUE ENVOLVEM DEBATES DO SEGMENTO FINANCEIRO, COMO O Z360O REALIZADO PELO GRUPO ZUMM. POR QUÊ?

R.A.: Eventos como o Z360° têm algumas vantagens importantes. No caso das palestras, há uma organização de todo um pensamento, já que muitas das coisas que são encontradas na internet são fragmentos de ideias, informações e análises. Além disso, esses eventos permitem trocas de informações, experiências e conhecimentos, não só por parte dos palestrantes, mas entre os participantes, o que torna isso mais forte. Assim, gera-se conexão.

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